segunda-feira, 16 de maio de 2011

Especialistas alertam para uso incorreto de antidepressivos

Ainda que alvo de controvérsias, antidepressivos são muito procurados, mesmo por pessoas que não entendem o seu funcionamento

João Eurico, Marcelo Alves, Pedro Inácio

Os antidepressivos são os remédios mais vendidos no mundo, segundo a OMS. Em São João del-Rei, a procuram por esse psicotrópico também é alta. O farmacêutico Paulo Giarola informa que o medicamento é vendido rapidamente nas farmácias, bastando ter estoque dos remédios indicados. “Tendo na prateleira, eu tenho venda”. No entanto, aplicação desse remédio deve seguir diversas cautelas.
Os antidepressivos são um conjunto de substâncias químicas que tratam as manifestações somáticas e neurofisiológicas presentes nos estados depressivos e agem sobre o humor. A depressão é apontada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como a quinta maior questão de saúde pública. Os números da entidade apontam que a depressão atinge 17 milhões apenas no Brasil e 50% das pessoas que tiveram a doença são diagnosticados incorretamente.
A psicóloga Claudia Márcia Miranda de Paiva, professora e pesquisadora do curso de Psicologia da UFSJ, chama a atenção para a banalização do antidepressivo e seu uso sem acompanhamento médico adequado. “Muitas pessoas chegam à clínica pedindo o antidepressivo, sem necessidade. Mas a prescrição depende da ética médica. Não sou contra o uso de psicotrópicos, mas acredito que o seu uso está banalizado. A pessoa perde um ente querido e alguém diz ‘olha, toma esse remedinho aqui, vai te fazer sentir melhor’”, explica a pesquisadora.
A procura pelos antidepressivos é bem alta em São João. O farmacêutico Paulo Giarola informa que o medicamento é vendido rapidamente nas farmácias, bastando ter estoque dos remédios indicados. “Tendo na prateleira, eu tenho venda”. Ele alerta, ainda, para o fato de que muitas pessoas vão constantemente à farmácia tentar comprar o remédio sem a prescrição médica. “Muita gente adquire o hábito de tomar o antidepressivo sem acompanhamento profissional. Às vezes, ela necessita do medicamento para se sentir bem, mesmo sem precisar dele”, comenta.
No entanto, as posições dos profissionais sobre o tema tendem a diferir muito. O psiquiatra Reinaldo Moreno explica que não é para qualquer caso de depressão que os antidepressivos são recomendados. O médico informa que existem dois tipos de depressão: a reativa e a orgânica ou maior.
A reativa ocorre quando a pessoa se sente mal em decorrência de algum fato ocorrido de forma circunstancial, como a perda do emprego, fim de um relacionamento, morte de alguém próximo. Para este tipo de depressão, segundo o psiquiatra, é recomendada a psicoterapia, e não a medicação. Moreno esclarece que, já para o tipo orgânico, ou seja, aqueles que são geneticamente propensos à depressão, são indicados a psicoterapia e os antidepressivos e, mesmo assim, apenas o estritamente necessário para o tratamento.

Sociedade
Cláudia Márcia explica que os seres humanos sofrem uma variação de humor muito grande. Ela argumenta que as pessoas precisam aprender a conviver com isso, a se conhecerem melhor a fim de aprenderem com essas situações e se reinventarem. “Mas essa cultura de estar sempre alegre, para cima e bem disposto leva as pessoas a procurarem as famosas ‘pílulas da felicidade’”, diz a psicóloga.
A psicóloga acredita que essa banalização é acentuada pela propaganda que as indústrias farmacêuticas fazem dessas drogas. “Como, por exemplo, a fluoxetina, o conhecido Prozac, que fala coisas do tipo, ‘os tempos de depressão acabaram, experimente a felicidade que podemos lhe proporcionar’”, comenta. Ela afirma que, para muitos casos, a psicoterapia seria uma saída mais adequada.

Legislação
Os antidepressivos não podem ser comercializados sem receita médica. Reinaldo Moreno, explica que, ao ser medicado, o paciente encontra-se em estado de melhora em 10 a 15 dias, e a dosagem indicada será constantemente vigiado pelo médico. “Um profissional experiente indicará apenas o necessário e, por se tratar de substâncias de uso controlado, é realmente improvável que o paciente consiga o remédio de outras formas que não na farmácia, de posse da receita. Comprar remédios ilegalmente hoje em dia é muito difícil”, diz Reinaldo.

Dependência
Os psicotrópicos causam variações de humor. Cláudia Márcia explica que, se houver um uso descontrolado, eles produzem uma dependência moderada, além de uma tolerância. “O uso crônico muda as estruturas responsáveis pelo funcionamento do corpo. O efeito que o medicamento tinha no início vai diminuir ao longo do tempo, o que leva a pessoa a aumentar a dose. Quando o médico prescreve o antidepressivo, ele faz um acompanhamento do paciente que visa à diminuição da dosagem”, esclarece a psicóloga.
De acordo com Reinaldo Moreno, os usuários de antidepressivos não se tornam dependentes químicos, pois, segundo o psiquiatra, tais substâncias não causam esse efeito. “As pessoas confundem vício com necessidade médica. Pode ser que o paciente precise usar da medicação por longo período, mas isso não faz dele um viciado, e sim um doente em recuperação”.
O psiquiatra esclarece que há casos de paciente do tipo orgânico que precisam tomar medicação para o resto da vida, mas que isso deve ser comparado com, por exemplo, alguém que sofre de pressão alta e toma medicamentos. “O doente não tem culpa de seu estado, e, no caso da depressão maior, a medicação deve ser vista como algo natural para a boa vivência da pessoa”, explica.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Restaurante une tradição italiana com costumes mineiros

Marcelo Alves e Vinicius Tobias

A massa do Restaurante da Filó preserva e conta 123 anos de histórias de imigrantes italianos que vieram para o Brasil, fugidos da pobreza e da fome na Europa. Passado de mãe para filha, o macarrão caseiro era feito pelas mulheres em ocasiões especiais, como casamentos, batizados, reuniões. Após quatro gerações de vivência na Colônia do Felizardo, a família Taroco, vinda da cidade de Verona, Itália, foi incorporando ingredientes da cultura mineira e mesclando costumes. A interação criou um modo de cozinhar que reúne elementos da Itália com temperos e ervas de Minas Gerais.


A família Taroco imigrou para São João del-Rei na década de 1890 e construiu suas casas em terrenos cedidos pelo o governo para os imigrantes. Eles vieram num contexto pós-escravidão e eram sub-empregados em fazendas da região em troca de comida e proteção. Representante da quarta-geração da família, Valéria Taroco conta que muitos se revoltavam pela pesada carga de trabalhos.


Em reuniões familiares, os pratos italianos eram preparados pelas mulheres, tradição preservada com o passar dos anos. “As receitas vieram do aprendizado que adquiri com minha avó”, relata Valéria. Ela afirma que a família italiana foi se misturando com os mineiros. “Meus tios casaram com brasileiras, italiano gosta de morena e ficou essa mistura”, diz.


Com isso, a culinária foi adquirindo elementos novos. “Fazemos frango com ora-pro-nobis, feijoada, torresmo e quiabo. Mas a parte mais forte é a massa”, explica a cozinheira. Os temperos são herança de família, “mas tem algumas ervas que uso como o alho-poró e o orégano que vieram da culinária mineira. Fizemos a misturinha, um pouco de cada lado para ficar um pouco mineiro, um pouco italiano”.


A produtora cultural, Alzira Agostini Haddad, é fã das comidas preparadas por Valéria Taroco. Ela fez questão de elogiar o restaurante e destacar a qualidade dos pratos. “A Valéria busca preservar a receita italiana e tem um local bem gostoso - a casa dela - onde podemos passar bons momentos comendo uma comidinha caseira de fogão a lenha”, enfatizou Haddad.


Restaurante

O local onde são servidas as delícias é um ambiente espaçoso, caseiro e atendimento personalizado. O restaurante, que abre sábados, domingos e feriados, produz sua própria massa, de receita tradicional, trazida direto da Itália. Lá são servidos pratos diversos, como lasanha, capelete, rondeli, caneloni e risotos para todos os gostos. Os vegetarianos não foram esquecidos e possuem opções especiais.


“É um trabalho de segunda a sexta para produzir a massa do almoço de sábado e domingo” declara Valéria Taroco, comandando a sua aconchegante cozinha. “A gente tem que apertar a massa, deixar descansar, esticá-la e molda-la, além de fazer os recheios e os molhos no dia em que servimos.”


Produção familiar

Isso tudo é produzido em um ambiente aconchegante e familiar, onde trabalham sua tia, avó, filha e amigas. As rotinas de criação são bastante barulhentas, com o rádio alto as mulheres põem a conversa em dia com muita animação. Uma boa vontade que carece à boa culinária.


Valéria conta que a massa tradicional é batida e esticada em tabuleiro de madeira e não de cimento, “isso influi na textura e no gosto da massa”. Os homens não escapam do trabalho. A eles é designada a tarefa de preparar o risoto, como bons mineiros descendentes de italianos, eles se reúnem e cozinham entre gargalhadas e muita cachaça. A aguardente, inclusive, é servida de graça e também é produzida em um alambique da família.


Local

Para desfrutar das delícias caseiras, o visitante deve ir à Colônia do Giarola, virar à direita depois da ponte e percorrer a estrada de terra cercada de árvores por um quilômetro até encontrar a casa colonial onde fica o restaurante. Para entrar em contato com a Filó, o telefone é 9941-4720, ou entrar em contanto pelo e-mail restaurantedafilo@hotmail.com.

quinta-feira, 31 de março de 2011

Damae abre cerca de 20 buracos por dia para manutenção de rede de água


Setenta mil reais do orçamento da Prefeitura vão para o esgoto todo mês. O diretor do Damae (Departamento Autônomo Municipal de Água e Esgoto), Jorge Hannas Salim, afirma que 14% do orçamento do Damae são gastos em reparos na rede de água e esgoto e apenas 10% são investidos em saneamento básico. Além do alto valor, as constantes manutenções geram desconforto nos moradores e nos motoristas da cidade.



De acordo com Jorge Hannas, são abertos, diariamente, uma média de 20 buracos em São João del-Rei. Ele atribuiu à freqüência dos reparos à “precariedade das redes de água. Na maioria das vezes, fazemos o reparo em um dia e, no outro, o cano arrebenta no mesmo local. Então vira uma coisa praticamente contínua”, declarou o diretor do Damae.

Manutenção
Os problemas nas vias de água são causados pelo trânsito de veículos pesados. As tubulações são antigas, de ferro fundido e as junções são de chumbo. Elas não foram projetadas para suportar o tráfego atual. “Há uma circulação de automóveis leves e pesados muito grande no município. Mas, na colocação da rede, não houve preparação para isso”, disse Hannas.
Quando um cano trinca, os moradores avisam o Damae, que envia uma das oito equipes para fazer a avaliação e a manutenção do local. O serviço é terceirizado, já que a autarquia não possui todos os funcionários necessários para as obras, como calceteiro e máquinas de pavimentação.

Definitivo
Hannas declarou que, enquanto o Damae gerir o saneamento básico de São João, esse abre e fecha de rua irá continuar. A autarquia não possui verba para a troca completa das vias de água, estimada em R$ 55 milhões de reais. A solução, segundo Hannas, seria privatizar a autarquia.
Uma saída diferente seria um projeto de capitalização da autarquia, argumenta o vice-presidente da Associação dos Moradores Amigos de São João del-Rei (Amas del-Rei), Edmilson Resende Salles. “Critico muito o Damae por sua estrutura obsoleta e sua falta de planejamento”, disse.
Ele acredita que, mesmo com a atual arrecadação é possível começar a fazer um trabalho de substituição do encanamento, “principalmente no Centro”. Ele aconselhou a aumentar o investimento, por meio de um trabalho de capitalização.

Transtornos
A técnica em Enfermagem, Cláudia Oliveira dos Santos, 31, afirmou que passa todos os dias pela Avenida Tiradentes e frequentemente encontra obras de manutenção de rede de esgoto. “Aqui já tem uma circulação de automóveis muito grande em horário de pico. Então, quando tem alguma obra, o trânsito piora bastante. Fica complicado”, reclamou a motorista.
Outro condutor, Fernando Rodrigues da Silva, 44, se mostrou irritado com o buraco aberto. Ele afirmou que, embora de as manutenções sejam feitas rapidamente, elas acontecem constantemente. “O pior é que o asfalto fica todo irregular. Não colocam o asfalto de novo e fica um buraco desnível de terra ou um remendo de paralelepípedos no lugar”, declarou o empresário.

"Créditos da foto para Vinicius Tobias. Já queria fazer essa matéria há muito tempo. Creio que há mais de 10, 20 anos essa situação se repete e me recuso a acreditar que nada pode ser feito. Que, por mais brilhante que seja a administração, a situação não mudaria. Pouco a pouco, tudo se resolve. Principalemente com um plano de hidormetração paulatina e troca de encanamento das áreas mais prejudiciais. Falta vontade política, visto que o Damae poderia ter recursos para fazer as mudanças necessárias. Mas se não e do interesse do Sr. Prefeito, fica difícil."

Projeto pretende lançar um livro sobre correspondência do escritor são-joanense


O escritor são-joanense, Otto Lara de Resende, foi um dos mais importantes escritores de Minas Gerais. Célebre por seus livros, poemas e notícias em jornais e revistas, Lara conquistou amizades de grandes nomes como Hélio Pellegrino, Fernando Sabino e Paulo Mendes Campos, formando o chamado “quarteto mineiro”. Com isso em mente, o pesquisador Adriano de Paula Rabelo, doutor em Literatura Brasileira pela Universidade de São Paulo (USP), teve a ideia de homenagear os 90 anos, que Lara completaria em 2012, analisando sua correspondência postal.

Otto Lara completaria 90 anos em 2021
A presidente do Instituto Artefato Cultural, Cristiane de Andrade Carvalho, contou que o projeto tem o objetivo de publicar um livro-estudo das cartas do escritor. Segundo ela, a correspondência mantida com literatos brasileiros é “uma importante fonte de informações sobre: política, literatura, história e o mais interessante: a amizade”.

Cristiane Carvalho enfatiza que Otto Lara é um dos intelectuais mais injustiçados do Brasil, pois sua vida e obra não são muito conhecidas pelo grande público. “Entendemos que o Otto merece, por causa da sua importante atuação no cenário cultural brasileiro”, reforçou.



Viabilidade
O projeto consiste em pesquisar o acervo de Otto Lara Resende e trazer a público o resultado dessa pesquisa, por meio de um livro. O Instituto Moreira Salles, guardião de parte desse acervo, apontou a possibilidade de realizar a edição. “Mas ainda estamos na fase de contatos para financiamento desta pesquisa”, disse

A entidade está tentando negociar patrocínio e apoio cultural, que pode ser de uma ou mais empresas, parceiros, poder público. Cristiane informou que estima um valor em torno de R$ 350 mil “para despesas com a remuneração da equipe de pesquisadores, transporte, alimentação e divulgação do projeto com assessoria de comunicação”.

Além do Instituto Moreira Salles, o projeto será cadastrado no Programa de Ação Cultural de São Paulo (ProAC – ICMS), para obtenção de apoio. Cristiane ressaltou que seria muito significativo realizar parceria com empresa ou poder público de São João del-Rei. “Acredito que os jovens mineiros sejam os grandes e mais importantes beneficiados com este projeto”.

O projeto ainda está no início. Os organizadores gostariam de distribuir o livro em 2012; se for possível, no dia 1º de maio, dia do 90º aniversário do escritor.

"Bom, depois de um longo e tenebroso hiato, voltei a postar no blog. Saí da Folha e estou tocando outros projetos, como um site de notícias online, iniciação científica, mobilização acadêmica e cursos de línguas. Portanto, devo diminuir a frequencia das postagens, mas não muito. Essa matéria me caiu no colo, no email na verdade. Cristina me procurou perguntando se eu conhecia alguem da prefeitura que poderia mediar uma parceria, eu passei os contatos que tinha e pedi uma entrevista. Ela me foi solicita e atenciosa, enviando as respostas com detalhes e em curto prazo, o que é raro. O projeto é bem interessante e torço para que se concretize com o apoio de órgãos públicos são-joanenses. Afinal, já passou da hora de a Prefeitura investir em ideias culturais bacanas e assumir seu posto como agente fomentador cultural..."

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

FrutificaMinas chega a São João del-Rei

São João del-Rei é uma das cinco cidades mineiras pioneiras na implantação do Circuito FruticaMinas, organizado pela Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater) e pela Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa). O objetivo do programa é aumentar a produção e melhorar a qualidade das frutas produzidas em Minas Gerais. Mais de 100 pessoas participaram do encontro para divulgação do Circuito nesta região, dia 24, no anfiteatro do campus Dom Bosco da UFSJ.
O evento passou pelas cinco maiores regiões produtoras de frutas em Minas: Brumadinho, Janaúba, Uberlândia, Caxambu e, fechando, em São João del-Rei. O Circuito deverá ser ampliado em 2011, contendo 10 etapas, incluindo, novamente, esta cidade.
O coordenador técnico de Fruticultura da Emater-MG, Dany Sanábio, contou que o FrutificaMinas surgiu da intenção de fortalecer a produção de frutas no Estado. “Percebemos que a fruticultura tem possibilidade de se desenvolver muito em Minas por causa de fatores como clima, solo, abastecimento de água”, observou Sanábio.
Porém, Minas é altamente dependente de outras regiões para seu abastecimento de frutas. Apenas 35% do que é comercializado no Ceasa-MG vem dos municípios mineiros. “Gostaríamos de reverter esse número, ou pelo menos equilibrar. Há um potencial muito grande para o desenvolvimento”, disse o coordenador de Fruticultura da Emater.
O programa é generalizado: incentiva a plantação de qualquer tipo de fruta. Minas é auto-suficiente em banana e o maior Estado produtor de abacaxi. “Ao passo que somos altamente dependentes da importação de laranjas”, comentou Deny.

Etapa São João del-Rei
Segundo Dany Sanábio, São João del-Rei foi escolhida como uma das etapas do Circuito por seu uma cidade polo que já tem uma fruticultura desenvolvida. Os produtores tiveram a oportunidade de trocar experiências, esclarecer dúvidas, se informarem sobre as mudanças no mercado e as novidades de pesquisas e de novas tecnologias.
Com o apoio da Secretaria Municipal de Agropecuária e Abastecimento, o FrutificaMinas Etapa São João ressaltou a importância de variar a produção rural. “A região é muito focada na produção de leite, mas o produtor tem que diversificar seu plano de trabalho e propriedade”, orientou o secretário Marcus Fróis.
De acordo com ele, a fruta não é muito visada na cidade. “Os produtores não têm muito conhecimento. A cidade é muito fraca em produção de fruta”, comentou. E acrescentou: “A fruta é muito consumida na merenda escolar são-joanense. O fruticultor vai poder ter a fruta em casa e, ainda, vender à Prefeitura”.

Agricultura familiar
O secretário de Agropecuária afirmou, ainda, que o evento é direcionado especialmente aos pequenos produtores. É muito importante, disse, que as propriedades de médio e pequeno porte se voltem para o plantio de frutas, que “não precisam de muito espaço para se ter uma boa produção. O mercado de comercialização é amplo e oferece muitas alternativas”, contou.
O presidente da Associação de Produtores Rurais e Agricultura Familiar das Colônias (Aprafac), Adriano Ribeiro Almeida, relatou que os produtores encontram dificuldade para comprarem mudas de qualidade ou para terem informações a respeito do clima e do comércio do produto. “Este evento é importante porque traz novas informações e faz com que as pessoas abram a mente para essa nova área”, elogiou o produtor rural.

Ampliação em 2011
É o primeiro ano que o FrutificaMinas acontece. O investimento por parte do Estado foi pequeno. Mas, segundo o coordenador técnico de Fruticultura da Emater, será disponibilizado um aporte maior de recursos para a realização do Circuito em 2011. “Esse ano fizemos o evento com esforço. Ano que vem, pretendemos conseguir mais patrocinadores, apoio de empresas para não sobrecarregar as Prefeituras”, adiantou Dany Sanábio.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Rio

Reproduzo aqui dois textos do Viva Favela 2.0 a respeito das operações policiais no RJ:


Rio de Janeiro: moradores de favela ou asfalto acuados pelo medo

por Doncdd - 25/11/2010

Cidade de Deus | RJ

Como morador da comunidade da Cidade de Deus, tenho acompanhado todos os noticiários no que diz respeito aos acontecimentos de violência do crime organizado em resposta às políticas de segurança pública do nosso atual governador. Preciso muito saber de tudo, pois sou cidadão de bem e acredito que quem esta no "MEIO" desse fogo cruzado são pessoas como eu e que estão dentro das favelas e que não têm muita parcela de culpa por essa situação ou quem sabe nenhuma. O Rio de Janeiro é uma cidade com muitos contrastes sociais e desigualdades. Essas coisas geram o que estamos vivendo; isso é FATO em qualquer parte do mundo.

Ensino falido, saúde falida, segurança falida, estado FALIDO... Verdadeiro clima de guerra civil... O Rio de Janeiro hoje parece um BARRIL DE PÓLVORA. Creio que isso que esta acontecendo é só a PONTINHA do ICEBERG. Não estou querendo dizer que estou APAVORADO... Mas, tampar o sol com a peneira não é possível; Creio que "OS MAIORES FINANCIADORES E COLABORADORES" para essa situação (não estou dizendo que sou eu ou você) ainda não se deram conta do "MONSTRO" que criaram com toda essa desigualdade.

Outro fato é que estava vendo um telejornal e estava ouvindo a opinião de ANTROPÓLOGOS e SOCIÓLOGOS sobre a "REAÇÃO" violenta do crime, quando percebi que eles FOCARAM apenas o FATO dos CARROS e ÔNIBUS estarem sendo INCENDIADOS, ou seja, os ATOS TERRORISTAS, apenas isso; Todos só falaram dos CARROS... Aí eu pergunto: e as VIDAS? Não são importantes?

Muito se fala em UPP, UPA e etc... Mas eu encaro isso tudo como um verdadeiro "CARNAVAL POLÍTICO". Eu sou uma pessoa muito ROMÂNTICA, amo as coisas quando são feitas de "CORAÇÃO" e com "CARINHO" e com "AMOR ao PRÓXIMO" de VERDADE e sem interesses, seja lá qual for. Muita gente elogia essa política de segurança de UPP nas comunidades. Faltava policiamento? SIM, faltava, como falta na Zona Sul e na Zona Norte. Mas, NA REAL! Eu acho que isso é "ENXUGAR GELO". O problema não está dentro das comunidades. Ele está nas ESTRADAS QUE CORTAM O PAIS, NOS AEROPORTOS E NOS PORTOS... Tem que criar policiamento de verdade para esses locais também.

Já escutei dizer que o ROMANTISMO está fora de moda. Eu acho que é por isso que existem políticos, e que alguns deles vivem e se mantém na política pelas NECESSIDADES dos menos favorecidos. Isso me deixa meio pra baixo e com um sentimento de IMPOTÊNCIA em poder fazer pouco para que elas possam enxergar isso. NEGAR ENSINO DE QUALIDADE e SAÚDE DE QUALIDADE, acredito que sirva para manter essa situação.

Dia 23/11, estava lendo num jornal que o governador e o secretário de segurança SUSPENDERAM e CANCELARAM as FOLGAS dos policias e ainda sem certeza pretendem convocar os que estão de férias para trabalhar. E mais: além disso, remanejar os que trabalham em repartições públicas para as ruas, isso devido aos atuais acontecimentos. De IMEDIATO, isso passou despercebido quando li a notícia, mas quando fiquei sabendo de um caso de ABUSO DE AUTORIDADE (LEI Nº 4.898, DE 9 DE DEZEMBRO DE 1965), ou melhor, AGRESSÃO FÍSICA (tapas na cara de um jovem que portava maconha e ainda fez o mesmo comer a "DROGA"...??? -Estranho, droga não pode ser ingerida). Aqui na CDD por Agentes da Policia Militar pertencentes a UPP local é que CAIU A FICHA sobre essa atitude DESESPERADA do governador e do secretario de segurança e as "CONSEQUENCIAS" que isso vai trazer para os moradores de FAVELAS. Digo mais: os jovens que geralmente são os mais vulneráveis e mais visados para esse tipo de atitude, eu acredito que teremos "POLICIAIS MUITO MAIS TRUCULENTOS" por ai devido a isso.

Eu que sou um "Cidadão de Bem" sinceramente estou muito preocupado com isso e com a minha "INTEGRIDADE FÍSICA" e dos moradores da minha comunidade e de todas do Rio de Janeiro. Se essa decisão for para o mês de dezembro todo creio que a ESTATISTÍCA DE ABUSOS DE AUTORIDADE (estou falando "POR BAIXO") vão aumentar e muito. E tem mais: fico imaginando esses "AGENTES ARMADOS" com poucas HORAS DE REPOUSO em OPERAÇÕES NAS COMUNIDADES E NAS RUAS.

Enfim, enquanto o governo tenta organizar o caos para que até 2014 e 2016 a cidade esteja em plena ordem, vamos seguindo sendo reféns do medo e da insegurança sendo no ASFALTO ou na FAVELA. Creio que não temos mais pra onde correr.

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Heróis e bandidos: a narrativa midiática sobre a repressão ao crime organizado

por franrodrigues - 29/11/2010
GOIÂNIA | GO

Se no dia a dia, a cobertura jornalística das periferias já se resume à violência e criminalidade, o que esperar dos jornais mediante o drástico enfrentamento entre polícia e crime organizado que o Rio de Janeiro vivenciou na 2ª quinzena de novembro? Uma terceira edição de ‘Tropa de Elite’, dizem os que viram nas telas do cinema uma versão fictícia da realidade que agora salta dos televisores e páginas da imprensa do mundo todo.

O complexo de favelas do Morro do Alemão, principal reduto dos traficantes no Rio de Janeiro, sempre aparecia na mídia em função de atividades difusas da polícia e do tráfico de drogas. No recente episódio da ocupação policial, essas favelas se tornaram, agora de forma concentrada, palco de um espetáculo sangrento que nada fica devendo para as coberturas de guerra. Em coletes à prova de balas, repórteres falavam sobre armamentos e táticas de ataque; entrevistaram comandantes da polícia e do Exército; mostraram o desespero de quem vive em meio ao que se chamou de Guerra Civil.

No sofá de casa, o espectador recebeu um circo de horrores, que envolveu o exibicionismo bélico de ambos os lados. Tiroteios, incêndios, bombas, gritos, medo e a constante atualização do número de mortos e feridos. Cada passo da polícia foi narrado, ganhando contornos de heroísmo: apreensões de drogas e armas, revistas, prisões, carros blindados e anfíbios, helicópteros e, claro, o apoio da população. As imagens e textos da cobertura midiática foram enfáticos em demonstrar a capacidade do Estado em suplantar a violência no morro e a eficiência das operações.

Em que pesem as desigualdades sociais que tanto contribuem para esse quadro, é indiscutível que os traficantes devem ser presos e responsabilizados por seus crimes – com a ressalva de que sejam sempre respeitados os Direitos Humanos. É também inegável que pacificar as comunidades e torná-las livres do tráfico sejam medidas essenciais e que o trabalho da polícia é garantir a segurança da sociedade, tendo, para isso, que enfrentar poderes paralelos que se valem da violência. Até concordo que haja aí o mérito dos profissionais que se arriscam em nome da paz e da tranquilidade de outrem. O que, contudo, ficou ofuscado em meio a tantos holofotes foi o porquê desse controle ter demorado tanto, ao ponto de um enfrentamento tão violento.

A pergunta que fica nesse caso não é sobre o paradeiro dos bandidos, mas acerca de seus rivais e arque-inimigos, valendo-me da linguagem dos quadrinhos, que muito se assemelha ao discurso da mídia nessa situação. Afinal, onde estava a polícia enquanto esses poderes eram construídos? Onde estavam os heróis que não impediram a consolidação desse exército do tráfico, dos impérios dos traficantes nas favelas?

Inserir essas perguntas à cobertura midiática implica em desconstruir a dualidade herói-bandido, tão importante na cultura do espetáculo, e considerar a responsabilidade da própria Polícia, pela corrupção e pela omissão, na existência desse cenário de guerra. As pessoas que comemoram as mortes e os tanques de guerra na favela; que julgam a letacidade das ações policiais como critério de eficiência das Políticas de Segurança Pública e que enaltecem os resultados desse enfrentamento precisam ter em mente um quadro mais complexo.

Não podemos esquecer que a polícia, não em sua totalidade, vendeu a preços altos seu silêncio e condescendência com o crime e participou nos lucros das atividades criminosas. A polícia que criminaliza a pobreza e contra ela exerce uma força abusiva não pode ser considerada heróica.

http://www.vivafavela.com.br

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Festa de Congado: Inculturação e resistência

Os tambores tocam ao longe. Em meio às homenagens a Nossa Senhora do Rosário, grupos afro-descendentes cantam a memória de seus antepassados, curam suas dores e pedem proteção. O batuque afasta a chuva, que teimava em querem chegar, e o sol abre espaço entre as nuvens, secando as gotas d’água que caíram minutos antes. As pessoas começam a dançar e, às 13 horas, as bandas de Congado já encheram as ruas tortuosas e inclinadas de Resende Costa. As senhoras debruçam-se nas janelas, donas-de-casa interromperam o serviço e crianças perguntam, maravilhadas, o significado de tanta música e dança.
Os 26 grupos carregam seus estandartes, batuques, bumbos, violas, sanfonas e demais instrumentos. Integrantes pulam e dançavam freneticamente. Misturados em uma mesma banda, figuram crianças, jovens, adultos e idosos com mais de 70 anos. A Festa abençoa a pluralidade de pensamentos, raças, idades e cultos. Juntam-se mais turistas, congadeiros e curiosos à comemoração, alguns se escondem da luz ardida do sol, outros acompanham os desfiles. Visto de cima, o cenário tem as belas igrejas de Resende Costa, um céu que vai, lentamente, se livrando das nuvens e, na aglomeração, cores de uniformes vermelhos, brancos, azuis, verdes, roxos e amarelos.
Os congadeiros vestem-se com asseio, cada grupo traja seu uniforme de festa, com chapéus, ornamentações, fitas e adereços. Algumas mulheres trajam vestidos longos, brancos e têm o cabelo preso, enquanto os mais velhos se apresentam com ternos e gravatas. Crianças erguem imagens de santos protetores, com muitas rosas e enfeites.
O capitão do Grupo de Congado Catupé Cacunda, Francisco Valentim, de 86 anos, sobe o morro entoando cantigas de escravos, mitos de guerrilheiros africanos e aparições míticas de santos. Sua voz não enfraquece minuto algum, ele homenageia seus tataravôs e sua comunidade. “O Congado é uma dança de fé, vinda dos antepassados, deixada para mim pelos avôs dos meus avôs. A Congada, para mim, é uma religião e uma obrigação. Eu acredito muito em nossa tradição, em São Benedito e em Nossa Senhora do Rosário”, contou o capitão.
Chama a atenção uma banda grande, com muitos instrumentos. Arma-se uma roda ao lado da Igreja de Nossa Senhora do Rosário, congadeiros e congadeiras, vestidos de preto e branco, tocam e dançam em movimentos circulares. O capitão, com um sorriso no rosto, abre um corredor ao meio, onde passam meninos e meninas fazendo com os pés uma coreografia e são muito aplaudidos.
Um senhor faz movimentos em zigue-e-zague, tocando um bumbo do outro lado da igreja. Ele puxa uma banda, toda vestida com ternos brancos, quepes de marinheiro e fitas coloridas. Segundo o capitão do Grupo de Congado Marujo Marinheiro Sereia do Mar, Carlos Evandro do Nascimento, “a música representa as tradições africanas de raiz. São de cativeiro, época da escravidão. Isso mexe com o nosso sentimento. Dessa forma resgatamos aqueles elementos que estavam ficando para trás. Marujo é usado porque os escravos vinham para o Brasil dentro de navios negreiros, usamos roupas em sua homenagem”.
Maria Aparecida, de 75 anos, admira da janela de sua casa os grupos passarem. “Vejo esse festa daqui há muito tempo. Há cada dia que passa, ela melhora. A irmandade do Rosário convida muitos ternos de outras cidades para dançar nesse dia. Sempre fico admirada porque gosto muito”. No interior de sua residência, ela mostra uma das congadeiras mais tradicionais de Resende Costa, Duca. Ela tem 104 anos e já não acompanha mais a festa por problemas de saúde. Mas Aparecida conta que, alguns anos atrás, Duca ficava na porta da casa dançando ao som dos tambores e era cumprimentada por todos os capitães.
A Rainha Conga, Maria Cristina, de 77 anos, vai subindo a rua, atrás de uma Banda. Ela lembra que é Rainha há 45 anos e participa de vários grupos de Minas Gerais. “Fico muito feliz de encontrar essas pessoas tão maravilhosas e fazer tantas amizades. Há cada ano, é mais alegria. É uma festa da época dos escravos. Como Rainha Conga, eu me considero escrava”.
À tarde, o tempo quente não espanta as Bandas. Elas já se espalharam pela a cidade. De todos os cantos se ouvem tambores, o trânsito foi interrompido e os grupos passam, um atrás do outro, saudando os cidadãos e convidando-os a se juntarem. As bandeiras são beijadas por algumas pessoas. Resende Costa saúda os congadeiros, guardiões de uma tradição tão antiga quanto a chegada dos africanos no Brasil, defensores e patronos da cultura brasileira;

Box: Religião
A imagem de Nossa Senhora do Rosário representa a proteção. Quando os negros chegaram ao Brasil, eles se apegaram à devoção para ajudar a passar as tormentas da escravidão. “Mantemos essa homenagem a ela até hoje”, afirma o vice-presidente Antonio Carlos da Silva da Banda de Congado de Marujo de Nossa Senhora do Rosário e Santa Ifigênia, de Congonhas.
Para o capitão da Banda de Marujo, Carlos Evandro, Nossa Senhora do Rosário representa tudo, é um laço de fé e humildade. “Quando saímos para festejar sua santidade, dá vontade de chorar, ficamos muito emocionados, porque sabemos que ela está alegre por estarmos reunidos em seu nome”, disse.
Box: Organização
Para manter a tradição vida, muitos grupos enfrentam dificuldades relativas ao financiamento e desconstrução de suas comunidades. Alguns vão perdendo componentes porque os jovens se interessam menos pela tradição. No entanto, criar associações foi um modo que os capitães encontraram para receber repasses, comprar instrumentos, roupas e pagar o transporte das bandas. Antônio Carlos relata que os integrantes fazem os tambores e pegam donativos. Depois de registrar o grupo, passaram a receber subvenção municipal e estadual. “Agora, estamos lutando para obter a federal para podermos nos organizar melhor e divulgar nossas tradições. Nós temos oficinas de Congado, ensinamos afazer instrumentos, estandartes, roupas”, afirmou.
O capitão do Grupo de Congada Santa Ifigênia, Willian Fernandes da Silva, diz que anda por Minas Gerais inteira e outros Estados levando sua cultura. “A maior dificuldade é de transporte, mas não é muito frequente. A Prefeitura nos dá apoio para nos deslocarmos e renovarmos nossas vestimentas”, informou.
Contudo, essa forma de financiamento ainda é exceção. Francisco Valentim enfatiza que, em Arapari, o poder publico pouco faz para dar suporte aos grupos de cultura afro-descendente. “Preferem repassar verba para o futebol”. Ele conta que sua banda pagou a viagem de 700 km para Resende Costa. “Eu não acredito muito em Prefeitura. Nós mantemos pela força e garra de nosso povo”.