quarta-feira, 8 de junho de 2011

Acessibilidade é precária em São João

* Marcelo Alves e Vinicius Tobias

De acordo com o Censo/2010, São João del-Rei possui 976 pessoas com mais de 80 anos, a denominada 4ª idade. Esses cidadãos sofrem de doenças que dificultam a mobilidade e a autonomia. A cidade acessível, segundo definição do Estatuto do Idoso, é a que garante a toda sociedade a faculdade de ir, vir e estar nos locais públicos comunitários.
A pedagoga especialista em gerontologia, Maria José Cassiano de Oliveira, acredita que esse não é o caso de São João del-Rei. Para ela, o município não possui políticas de integração dos mais velhos. “A acessibilidade é um dos aspectos mais trágicos. Os idosos não têm como atravessar as ruas, pois os semáforos mudam muito rápido. Não há praças suficientes para convivência, as calçadas dificultam a caminhada e faltam banheiros públicos”, reclama a pedagoga.
A arquiteta e mestra em gerontologia, Adriana de Almeida Prado, aponta que as cidades precisam desenvolver políticas voltadas para “o acesso de todos a prédios e espaços públicos; cuidar para que não haja obstáculos de mobilidade, projetar edifícios multigeracionais e veículos que minimizem as dificuldades de pessoas com idade e deficiências”.

Dificuldades
São comuns a muitos cidadãos com mais de 80 anos os problemas com mobilidade e acesso a prédios públicos em São João. Nesse sentido, Maria Cristina Lima, de 80 anos, diz que enfrenta obstáculos diariamente. “Saio muito de casa, vou à missa todos os dias, pego ônibus. A pessoa mais idosa tem mais dificuldade, mas ainda conseguimos passear. Temos que ter muito cuidado, porque é muito perigoso, podemos cair e quebrar algum osso. Andar na rua é complicado, porque os carros não respeitam”, afirma Maria Lima.
Zeni Cordeiro, de 81 anos, comenta que ficou mais caseira com a idade. “Assisto à missa na televisão, não vou à igreja porque é muito longe da minha casa e não aguento andar muito. Ela também sente insegurança para atravessar as ruas e reclama da velocidade dos sinais. “Os carros não respeitam e eu desequilibro. Cismo que vou cair”, diz.
As cidades devem manter calçadas com piso estável, reto e com superfície antiderrapante, informa a arquiteta Adriana de Almeida. O que é um desafio para cidades históricas, com ruas estreitas e irregulares. A pedagoga Maria Cassiano conta que “as pessoas tropeçam muito nos paralelepípedos. As quedas para os idosos costumam a ser muito perigosas”

Transporte público
A circulação por transporte coletivo também não está totalmente adequada, afirma a gerontóloga. “Só quem dá conta das atividades diárias consegue pegar um ônibus. Mas com muita dificuldade ainda, as pessoas não têm consciência de que devem que ceder os lugares da frente. Os assentos reservados não bastam. Os motoristas não foram capacitados para receber as pessoas mais velhas e apenas alguns ônibus têm degraus rebaixados”, declara Maria Cassiano.
Marcia Leila de Castro Pellegrinelli, de 81 anos, aponta que o mais difícil para os idosos é a ausência de um transporte coletivo específico. “Deveria ter um transporte para os idosos em cada bairro. Os espetáculos religiosos, por exemplo, a gente perde porque são à noite. E acrescenta: “Acho muito importante que a comunidade desenvolva alternativas e a Prefeitura deveria tem uma van”. Jandira Pereira Lima, de 90 anos, conta que os filhos a proibiram de andar de ônibus por precaução. “Eu ando para lá e para cá de carro, só ando a pé perto de casa”.

Espaços públicos
Os poderes Executivo e Legislativo não dão o exemplo. O prédio da Prefeitura tem dois andares. Uma escada íngreme é a única ligação entre eles e não há projeto de adequação para idosos e deficientes físicos. O edifício da administração, que centraliza as Secretarias mais importantes, também não possui elevador. “Vocês nem imaginam as dificuldades para os idosos irem aos espaços de representação reivindicar seus direitos, como a Câmara de Vereadores e a Prefeitura. O acesso é bem complicado, com escadas muito inclinadas, que impossibilitam a subida do idoso”, declara Maria Cassiano.
A assessoria de imprensa da Prefeitura afirmou que deve partir do Legislativo uma lei que obrigue os prédios municipais a terem opções de acessibilidade. O setor também se disponibilizou a fazer um levantamento dos prédios públicos que oferecem acessibilidade. Contudo, mais de uma semana após a requisição, não deu resposta. Apenas os prédios mais novos, como o Fórum, o Ministério Público e o Batalhão da Polícia Militar foram projetados de acordo com as necessidades dos idosos.


Ocupação desordenada da margem do Córrego dos Lenheiros é a principal causa das enchentes

Fenômeno histórico é fruto da falta de projetos e de informação do Executivo

João Eurico, Marcelo Alves

São João del-Rei há muito tempo sofre com o problema das enchentes. Por falta de informação ou por omissão do poder público, a área urbana cresceu descontroladamente. Isso danificou o funcionamento do Rio das Mortes e do Córrego do Lenheiro, consequentemente, causando os alagamentos nas casas situadas às margens. É isso que a pesquisa intitulada Impactos Ambientais Urbanos Provocados pela Ocupação da Planície Fluvial e do Entorno do Rio das Mortes e seus Afluentes, comprova.
O estudo foi coordenado pelo professor e doutor em Geografia e Análise Ambiental da UFSJ, Vicente de Paula Leão, e contou com o auxilio da bolsista Raquel Cassia. Segundo Vicente, a ideia da pesquisa surgiu a partir de seus vinte anos de observações do fenômeno das enchentes na cidade. Isso, somado ao interesse do professor em geografia física e urbana, resultou em uma pesquisa essencial para a comunidade são-joanense.

Ocupação desorganizada
O pesquisador explica que o tema sempre foi tratado de maneira equivocada, tanto pelos habitantes da cidade quanto pelo meio acadêmico. “Alguns cidadãos acham que o fenômeno tem a ver com tromba d’água”. O que é incorreto, “visto que este é um jargão jornalístico do litoral. Já o meio acadêmico sempre discutiu o assunto de maneira muito superficial. A ideia da pesquisa é demonstrar os impactos ambientais urbanos que causam enchentes”.
Segundo Vicente, as pessoas costumam associar as enchentes às chuvas fortes, o que não é totalmente verdade. Ele explica que a causa está na urbanização desorganizada, que danifica a circulação correta do fluxo de água. “São vários os problemas causados pela ocupação humana: as construções em lugares inadequados reduzem o leito do rio; o asfalto diminui a impermeabilização do solo; a agricultura imprópria despeja sedimentos no rio; a mata ciliar, que ajuda na absorção da água é cortada. Então, são vários fatores que quando somados às chuvas fortes causam as enchentes”, explica.
Vicente ilustra o problema da ocupação humana desordenada usando do Google Earth (sistema de captação de imagens aéreas por satélites) como exemplo: “ao olharmos o bairro de Nossa Senhora de Fátima e a cidade de Santa Cruz de Minas, percebe-se que estão construídos em boa parte na planície de inundação do Córrego do Lenheiros. Então, um fenômeno que seria normal para um rio, que é quando suas águas sobem, acabou se tornando um problema”. Ele enfatiza que a subida do rio, em condições adequadas, é fundamental para o meio ambiente, para a fertilização do solo por exemplo.

Despreparo
O doutor em Geografia afirma que o Brasil é um país tropical, e que, consequentemente, são comuns em seu território chuvas torrenciais – muita chuva num curto período de tempo, e que por isso deveríamos estar sempre preparados. Vicente também alerta para o oportunismo de políticos em épocas de enchente: “depois que o estrago está feito, sempre aparece um político para dizer que o problema é a chuva forte, e que consertará o problema. Olhe por exemplo o Canadá: você não vê as nevadas causando tantos problemas por lá, porque eles estão preparados para este tipo de situação”.
As enchentes não podem ser simplesmente arrumadas de uma hora para outra, e que “o correto seria que houvesse ao menos um sistema de alerta à população, um programa de prevenção de doenças, enfim, um auxílio maior às vítimas das alagações. E não políticos falando sobre coisas impossíveis de serem feitas”, orienta.

Cidade e campo
A pesquisa demonstra que o problema das enchentes em São João del-Rei ocorre por fatores que envolvem tanto da zona rural quanto da urbana. Segundo o professor, quando a agricultura é feita de forma errada, as chuvas passam pelo relevo arado e levam os sedimentos ao rio. O que diminui o volume de água comportável, facilitando a inundação. Efeito semelhante ocorre na cidade, quando as partes mais altas são desmatadas e deixam o relevo desprotegido, então quando chove forte desce uma enorme quantidade de terra dos morros, que também acumulam sedimentos no rio.
Segundo Vicente, as áreas perto de rios serem menos valorizadas, o que acaba atraindo ainda mais construções: “aqui em São João os terrenos e casas em locais centrais estão muito caros, o que obriga a população mais carente a se alojar onde pode”.

Alternativas
Vicente explica que não existe uma solução propriamente dita para o dano já causado na ocupação inadequada dos leitos Segundo ele, não seria viável simplesmente retirar as construções das margens do rio, já que existem histórias pessoais ligadas àquelas casas. “O que deveria existir é um trabalho de preservação da mata ciliar, para diminuir o assoreamento e o lixo jogado nos rios e nas ruas da cidade, lixo que acaba entupindo bueiros e aumentando o problema. As escolas também deveriam ter um papel educativo, com o uso de material apropriado, para mostrar à comunidade as causas do problema. Senão fica difícil para as pessoas entenderem, por exemplo, que o asfalto do bairro Senhor dos montes esta relacionado às enchentes do Nossa Senhora de Fátima”.
O professor afirma que a Universidade ainda é muito distante da comunidade e do poder público. Quanto à pesquisa, por exemplo, Vicente disse que a prefeitura não foi receptiva quanto aos estudos, demostrando dificuldade de acesso aos dados, “ou porque a pessoa desconhece ou porque não tem vontade de mostrar mesmo”.
Concluindo, o pesquisador defende que enquanto a sociedade não mostrar que esta atenta as questões ambientais e que isto ira orientar o foco dela, não será feita muita coisa à respeito. Segundo ele, do jeito que vão as coisas “os políticos vão continuar não se preocupando com o meio ambiente”.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Especialistas alertam para uso incorreto de antidepressivos

Ainda que alvo de controvérsias, antidepressivos são muito procurados, mesmo por pessoas que não entendem o seu funcionamento

João Eurico, Marcelo Alves, Pedro Inácio

Os antidepressivos são os remédios mais vendidos no mundo, segundo a OMS. Em São João del-Rei, a procuram por esse psicotrópico também é alta. O farmacêutico Paulo Giarola informa que o medicamento é vendido rapidamente nas farmácias, bastando ter estoque dos remédios indicados. “Tendo na prateleira, eu tenho venda”. No entanto, aplicação desse remédio deve seguir diversas cautelas.
Os antidepressivos são um conjunto de substâncias químicas que tratam as manifestações somáticas e neurofisiológicas presentes nos estados depressivos e agem sobre o humor. A depressão é apontada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como a quinta maior questão de saúde pública. Os números da entidade apontam que a depressão atinge 17 milhões apenas no Brasil e 50% das pessoas que tiveram a doença são diagnosticados incorretamente.
A psicóloga Claudia Márcia Miranda de Paiva, professora e pesquisadora do curso de Psicologia da UFSJ, chama a atenção para a banalização do antidepressivo e seu uso sem acompanhamento médico adequado. “Muitas pessoas chegam à clínica pedindo o antidepressivo, sem necessidade. Mas a prescrição depende da ética médica. Não sou contra o uso de psicotrópicos, mas acredito que o seu uso está banalizado. A pessoa perde um ente querido e alguém diz ‘olha, toma esse remedinho aqui, vai te fazer sentir melhor’”, explica a pesquisadora.
A procura pelos antidepressivos é bem alta em São João. O farmacêutico Paulo Giarola informa que o medicamento é vendido rapidamente nas farmácias, bastando ter estoque dos remédios indicados. “Tendo na prateleira, eu tenho venda”. Ele alerta, ainda, para o fato de que muitas pessoas vão constantemente à farmácia tentar comprar o remédio sem a prescrição médica. “Muita gente adquire o hábito de tomar o antidepressivo sem acompanhamento profissional. Às vezes, ela necessita do medicamento para se sentir bem, mesmo sem precisar dele”, comenta.
No entanto, as posições dos profissionais sobre o tema tendem a diferir muito. O psiquiatra Reinaldo Moreno explica que não é para qualquer caso de depressão que os antidepressivos são recomendados. O médico informa que existem dois tipos de depressão: a reativa e a orgânica ou maior.
A reativa ocorre quando a pessoa se sente mal em decorrência de algum fato ocorrido de forma circunstancial, como a perda do emprego, fim de um relacionamento, morte de alguém próximo. Para este tipo de depressão, segundo o psiquiatra, é recomendada a psicoterapia, e não a medicação. Moreno esclarece que, já para o tipo orgânico, ou seja, aqueles que são geneticamente propensos à depressão, são indicados a psicoterapia e os antidepressivos e, mesmo assim, apenas o estritamente necessário para o tratamento.

Sociedade
Cláudia Márcia explica que os seres humanos sofrem uma variação de humor muito grande. Ela argumenta que as pessoas precisam aprender a conviver com isso, a se conhecerem melhor a fim de aprenderem com essas situações e se reinventarem. “Mas essa cultura de estar sempre alegre, para cima e bem disposto leva as pessoas a procurarem as famosas ‘pílulas da felicidade’”, diz a psicóloga.
A psicóloga acredita que essa banalização é acentuada pela propaganda que as indústrias farmacêuticas fazem dessas drogas. “Como, por exemplo, a fluoxetina, o conhecido Prozac, que fala coisas do tipo, ‘os tempos de depressão acabaram, experimente a felicidade que podemos lhe proporcionar’”, comenta. Ela afirma que, para muitos casos, a psicoterapia seria uma saída mais adequada.

Legislação
Os antidepressivos não podem ser comercializados sem receita médica. Reinaldo Moreno, explica que, ao ser medicado, o paciente encontra-se em estado de melhora em 10 a 15 dias, e a dosagem indicada será constantemente vigiado pelo médico. “Um profissional experiente indicará apenas o necessário e, por se tratar de substâncias de uso controlado, é realmente improvável que o paciente consiga o remédio de outras formas que não na farmácia, de posse da receita. Comprar remédios ilegalmente hoje em dia é muito difícil”, diz Reinaldo.

Dependência
Os psicotrópicos causam variações de humor. Cláudia Márcia explica que, se houver um uso descontrolado, eles produzem uma dependência moderada, além de uma tolerância. “O uso crônico muda as estruturas responsáveis pelo funcionamento do corpo. O efeito que o medicamento tinha no início vai diminuir ao longo do tempo, o que leva a pessoa a aumentar a dose. Quando o médico prescreve o antidepressivo, ele faz um acompanhamento do paciente que visa à diminuição da dosagem”, esclarece a psicóloga.
De acordo com Reinaldo Moreno, os usuários de antidepressivos não se tornam dependentes químicos, pois, segundo o psiquiatra, tais substâncias não causam esse efeito. “As pessoas confundem vício com necessidade médica. Pode ser que o paciente precise usar da medicação por longo período, mas isso não faz dele um viciado, e sim um doente em recuperação”.
O psiquiatra esclarece que há casos de paciente do tipo orgânico que precisam tomar medicação para o resto da vida, mas que isso deve ser comparado com, por exemplo, alguém que sofre de pressão alta e toma medicamentos. “O doente não tem culpa de seu estado, e, no caso da depressão maior, a medicação deve ser vista como algo natural para a boa vivência da pessoa”, explica.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Restaurante une tradição italiana com costumes mineiros

Marcelo Alves e Vinicius Tobias

A massa do Restaurante da Filó preserva e conta 123 anos de histórias de imigrantes italianos que vieram para o Brasil, fugidos da pobreza e da fome na Europa. Passado de mãe para filha, o macarrão caseiro era feito pelas mulheres em ocasiões especiais, como casamentos, batizados, reuniões. Após quatro gerações de vivência na Colônia do Felizardo, a família Taroco, vinda da cidade de Verona, Itália, foi incorporando ingredientes da cultura mineira e mesclando costumes. A interação criou um modo de cozinhar que reúne elementos da Itália com temperos e ervas de Minas Gerais.


A família Taroco imigrou para São João del-Rei na década de 1890 e construiu suas casas em terrenos cedidos pelo o governo para os imigrantes. Eles vieram num contexto pós-escravidão e eram sub-empregados em fazendas da região em troca de comida e proteção. Representante da quarta-geração da família, Valéria Taroco conta que muitos se revoltavam pela pesada carga de trabalhos.


Em reuniões familiares, os pratos italianos eram preparados pelas mulheres, tradição preservada com o passar dos anos. “As receitas vieram do aprendizado que adquiri com minha avó”, relata Valéria. Ela afirma que a família italiana foi se misturando com os mineiros. “Meus tios casaram com brasileiras, italiano gosta de morena e ficou essa mistura”, diz.


Com isso, a culinária foi adquirindo elementos novos. “Fazemos frango com ora-pro-nobis, feijoada, torresmo e quiabo. Mas a parte mais forte é a massa”, explica a cozinheira. Os temperos são herança de família, “mas tem algumas ervas que uso como o alho-poró e o orégano que vieram da culinária mineira. Fizemos a misturinha, um pouco de cada lado para ficar um pouco mineiro, um pouco italiano”.


A produtora cultural, Alzira Agostini Haddad, é fã das comidas preparadas por Valéria Taroco. Ela fez questão de elogiar o restaurante e destacar a qualidade dos pratos. “A Valéria busca preservar a receita italiana e tem um local bem gostoso - a casa dela - onde podemos passar bons momentos comendo uma comidinha caseira de fogão a lenha”, enfatizou Haddad.


Restaurante

O local onde são servidas as delícias é um ambiente espaçoso, caseiro e atendimento personalizado. O restaurante, que abre sábados, domingos e feriados, produz sua própria massa, de receita tradicional, trazida direto da Itália. Lá são servidos pratos diversos, como lasanha, capelete, rondeli, caneloni e risotos para todos os gostos. Os vegetarianos não foram esquecidos e possuem opções especiais.


“É um trabalho de segunda a sexta para produzir a massa do almoço de sábado e domingo” declara Valéria Taroco, comandando a sua aconchegante cozinha. “A gente tem que apertar a massa, deixar descansar, esticá-la e molda-la, além de fazer os recheios e os molhos no dia em que servimos.”


Produção familiar

Isso tudo é produzido em um ambiente aconchegante e familiar, onde trabalham sua tia, avó, filha e amigas. As rotinas de criação são bastante barulhentas, com o rádio alto as mulheres põem a conversa em dia com muita animação. Uma boa vontade que carece à boa culinária.


Valéria conta que a massa tradicional é batida e esticada em tabuleiro de madeira e não de cimento, “isso influi na textura e no gosto da massa”. Os homens não escapam do trabalho. A eles é designada a tarefa de preparar o risoto, como bons mineiros descendentes de italianos, eles se reúnem e cozinham entre gargalhadas e muita cachaça. A aguardente, inclusive, é servida de graça e também é produzida em um alambique da família.


Local

Para desfrutar das delícias caseiras, o visitante deve ir à Colônia do Giarola, virar à direita depois da ponte e percorrer a estrada de terra cercada de árvores por um quilômetro até encontrar a casa colonial onde fica o restaurante. Para entrar em contato com a Filó, o telefone é 9941-4720, ou entrar em contanto pelo e-mail restaurantedafilo@hotmail.com.

quinta-feira, 31 de março de 2011

Damae abre cerca de 20 buracos por dia para manutenção de rede de água


Setenta mil reais do orçamento da Prefeitura vão para o esgoto todo mês. O diretor do Damae (Departamento Autônomo Municipal de Água e Esgoto), Jorge Hannas Salim, afirma que 14% do orçamento do Damae são gastos em reparos na rede de água e esgoto e apenas 10% são investidos em saneamento básico. Além do alto valor, as constantes manutenções geram desconforto nos moradores e nos motoristas da cidade.



De acordo com Jorge Hannas, são abertos, diariamente, uma média de 20 buracos em São João del-Rei. Ele atribuiu à freqüência dos reparos à “precariedade das redes de água. Na maioria das vezes, fazemos o reparo em um dia e, no outro, o cano arrebenta no mesmo local. Então vira uma coisa praticamente contínua”, declarou o diretor do Damae.

Manutenção
Os problemas nas vias de água são causados pelo trânsito de veículos pesados. As tubulações são antigas, de ferro fundido e as junções são de chumbo. Elas não foram projetadas para suportar o tráfego atual. “Há uma circulação de automóveis leves e pesados muito grande no município. Mas, na colocação da rede, não houve preparação para isso”, disse Hannas.
Quando um cano trinca, os moradores avisam o Damae, que envia uma das oito equipes para fazer a avaliação e a manutenção do local. O serviço é terceirizado, já que a autarquia não possui todos os funcionários necessários para as obras, como calceteiro e máquinas de pavimentação.

Definitivo
Hannas declarou que, enquanto o Damae gerir o saneamento básico de São João, esse abre e fecha de rua irá continuar. A autarquia não possui verba para a troca completa das vias de água, estimada em R$ 55 milhões de reais. A solução, segundo Hannas, seria privatizar a autarquia.
Uma saída diferente seria um projeto de capitalização da autarquia, argumenta o vice-presidente da Associação dos Moradores Amigos de São João del-Rei (Amas del-Rei), Edmilson Resende Salles. “Critico muito o Damae por sua estrutura obsoleta e sua falta de planejamento”, disse.
Ele acredita que, mesmo com a atual arrecadação é possível começar a fazer um trabalho de substituição do encanamento, “principalmente no Centro”. Ele aconselhou a aumentar o investimento, por meio de um trabalho de capitalização.

Transtornos
A técnica em Enfermagem, Cláudia Oliveira dos Santos, 31, afirmou que passa todos os dias pela Avenida Tiradentes e frequentemente encontra obras de manutenção de rede de esgoto. “Aqui já tem uma circulação de automóveis muito grande em horário de pico. Então, quando tem alguma obra, o trânsito piora bastante. Fica complicado”, reclamou a motorista.
Outro condutor, Fernando Rodrigues da Silva, 44, se mostrou irritado com o buraco aberto. Ele afirmou que, embora de as manutenções sejam feitas rapidamente, elas acontecem constantemente. “O pior é que o asfalto fica todo irregular. Não colocam o asfalto de novo e fica um buraco desnível de terra ou um remendo de paralelepípedos no lugar”, declarou o empresário.

"Créditos da foto para Vinicius Tobias. Já queria fazer essa matéria há muito tempo. Creio que há mais de 10, 20 anos essa situação se repete e me recuso a acreditar que nada pode ser feito. Que, por mais brilhante que seja a administração, a situação não mudaria. Pouco a pouco, tudo se resolve. Principalemente com um plano de hidormetração paulatina e troca de encanamento das áreas mais prejudiciais. Falta vontade política, visto que o Damae poderia ter recursos para fazer as mudanças necessárias. Mas se não e do interesse do Sr. Prefeito, fica difícil."

Projeto pretende lançar um livro sobre correspondência do escritor são-joanense


O escritor são-joanense, Otto Lara de Resende, foi um dos mais importantes escritores de Minas Gerais. Célebre por seus livros, poemas e notícias em jornais e revistas, Lara conquistou amizades de grandes nomes como Hélio Pellegrino, Fernando Sabino e Paulo Mendes Campos, formando o chamado “quarteto mineiro”. Com isso em mente, o pesquisador Adriano de Paula Rabelo, doutor em Literatura Brasileira pela Universidade de São Paulo (USP), teve a ideia de homenagear os 90 anos, que Lara completaria em 2012, analisando sua correspondência postal.

Otto Lara completaria 90 anos em 2021
A presidente do Instituto Artefato Cultural, Cristiane de Andrade Carvalho, contou que o projeto tem o objetivo de publicar um livro-estudo das cartas do escritor. Segundo ela, a correspondência mantida com literatos brasileiros é “uma importante fonte de informações sobre: política, literatura, história e o mais interessante: a amizade”.

Cristiane Carvalho enfatiza que Otto Lara é um dos intelectuais mais injustiçados do Brasil, pois sua vida e obra não são muito conhecidas pelo grande público. “Entendemos que o Otto merece, por causa da sua importante atuação no cenário cultural brasileiro”, reforçou.



Viabilidade
O projeto consiste em pesquisar o acervo de Otto Lara Resende e trazer a público o resultado dessa pesquisa, por meio de um livro. O Instituto Moreira Salles, guardião de parte desse acervo, apontou a possibilidade de realizar a edição. “Mas ainda estamos na fase de contatos para financiamento desta pesquisa”, disse

A entidade está tentando negociar patrocínio e apoio cultural, que pode ser de uma ou mais empresas, parceiros, poder público. Cristiane informou que estima um valor em torno de R$ 350 mil “para despesas com a remuneração da equipe de pesquisadores, transporte, alimentação e divulgação do projeto com assessoria de comunicação”.

Além do Instituto Moreira Salles, o projeto será cadastrado no Programa de Ação Cultural de São Paulo (ProAC – ICMS), para obtenção de apoio. Cristiane ressaltou que seria muito significativo realizar parceria com empresa ou poder público de São João del-Rei. “Acredito que os jovens mineiros sejam os grandes e mais importantes beneficiados com este projeto”.

O projeto ainda está no início. Os organizadores gostariam de distribuir o livro em 2012; se for possível, no dia 1º de maio, dia do 90º aniversário do escritor.

"Bom, depois de um longo e tenebroso hiato, voltei a postar no blog. Saí da Folha e estou tocando outros projetos, como um site de notícias online, iniciação científica, mobilização acadêmica e cursos de línguas. Portanto, devo diminuir a frequencia das postagens, mas não muito. Essa matéria me caiu no colo, no email na verdade. Cristina me procurou perguntando se eu conhecia alguem da prefeitura que poderia mediar uma parceria, eu passei os contatos que tinha e pedi uma entrevista. Ela me foi solicita e atenciosa, enviando as respostas com detalhes e em curto prazo, o que é raro. O projeto é bem interessante e torço para que se concretize com o apoio de órgãos públicos são-joanenses. Afinal, já passou da hora de a Prefeitura investir em ideias culturais bacanas e assumir seu posto como agente fomentador cultural..."

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

FrutificaMinas chega a São João del-Rei

São João del-Rei é uma das cinco cidades mineiras pioneiras na implantação do Circuito FruticaMinas, organizado pela Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater) e pela Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa). O objetivo do programa é aumentar a produção e melhorar a qualidade das frutas produzidas em Minas Gerais. Mais de 100 pessoas participaram do encontro para divulgação do Circuito nesta região, dia 24, no anfiteatro do campus Dom Bosco da UFSJ.
O evento passou pelas cinco maiores regiões produtoras de frutas em Minas: Brumadinho, Janaúba, Uberlândia, Caxambu e, fechando, em São João del-Rei. O Circuito deverá ser ampliado em 2011, contendo 10 etapas, incluindo, novamente, esta cidade.
O coordenador técnico de Fruticultura da Emater-MG, Dany Sanábio, contou que o FrutificaMinas surgiu da intenção de fortalecer a produção de frutas no Estado. “Percebemos que a fruticultura tem possibilidade de se desenvolver muito em Minas por causa de fatores como clima, solo, abastecimento de água”, observou Sanábio.
Porém, Minas é altamente dependente de outras regiões para seu abastecimento de frutas. Apenas 35% do que é comercializado no Ceasa-MG vem dos municípios mineiros. “Gostaríamos de reverter esse número, ou pelo menos equilibrar. Há um potencial muito grande para o desenvolvimento”, disse o coordenador de Fruticultura da Emater.
O programa é generalizado: incentiva a plantação de qualquer tipo de fruta. Minas é auto-suficiente em banana e o maior Estado produtor de abacaxi. “Ao passo que somos altamente dependentes da importação de laranjas”, comentou Deny.

Etapa São João del-Rei
Segundo Dany Sanábio, São João del-Rei foi escolhida como uma das etapas do Circuito por seu uma cidade polo que já tem uma fruticultura desenvolvida. Os produtores tiveram a oportunidade de trocar experiências, esclarecer dúvidas, se informarem sobre as mudanças no mercado e as novidades de pesquisas e de novas tecnologias.
Com o apoio da Secretaria Municipal de Agropecuária e Abastecimento, o FrutificaMinas Etapa São João ressaltou a importância de variar a produção rural. “A região é muito focada na produção de leite, mas o produtor tem que diversificar seu plano de trabalho e propriedade”, orientou o secretário Marcus Fróis.
De acordo com ele, a fruta não é muito visada na cidade. “Os produtores não têm muito conhecimento. A cidade é muito fraca em produção de fruta”, comentou. E acrescentou: “A fruta é muito consumida na merenda escolar são-joanense. O fruticultor vai poder ter a fruta em casa e, ainda, vender à Prefeitura”.

Agricultura familiar
O secretário de Agropecuária afirmou, ainda, que o evento é direcionado especialmente aos pequenos produtores. É muito importante, disse, que as propriedades de médio e pequeno porte se voltem para o plantio de frutas, que “não precisam de muito espaço para se ter uma boa produção. O mercado de comercialização é amplo e oferece muitas alternativas”, contou.
O presidente da Associação de Produtores Rurais e Agricultura Familiar das Colônias (Aprafac), Adriano Ribeiro Almeida, relatou que os produtores encontram dificuldade para comprarem mudas de qualidade ou para terem informações a respeito do clima e do comércio do produto. “Este evento é importante porque traz novas informações e faz com que as pessoas abram a mente para essa nova área”, elogiou o produtor rural.

Ampliação em 2011
É o primeiro ano que o FrutificaMinas acontece. O investimento por parte do Estado foi pequeno. Mas, segundo o coordenador técnico de Fruticultura da Emater, será disponibilizado um aporte maior de recursos para a realização do Circuito em 2011. “Esse ano fizemos o evento com esforço. Ano que vem, pretendemos conseguir mais patrocinadores, apoio de empresas para não sobrecarregar as Prefeituras”, adiantou Dany Sanábio.