sexta-feira, 19 de novembro de 2010

"O novo prédio da Câmara é um desperdício de dinheiro", diz Sívila Fernanda

Após perder processo judicial por críticas feitas, em uma emissora de rádio local, à obra do novo prédio da Câmara de Vereadores, a vereadora Sílvia Fernanda de Almeida (PMDB) voltou a falar sobre o assunto. Ela reiterou suas reclamações acerca da localização do plenário, que é subterrâneo, sem janelas para ventilação e iluminação naturais. As arquitetas responsáveis pela planta, Aline Reis Botelho e Cinthia Lobão Rezende Fem, alegam que ficaram meses elaborando e retocando o projeto para que não houvesse falhas e que não são responsáveis por sua execução.
Segundo Aline Botelho e Cinthia Lobão, em 2007, elas venceram um concurso para a contratação de arquitetos para elaborar a planta do prédio. As duas receberam um programa, aprovado pelos vereadores da época, contendo exigências sobre como seria a nova Câmara e informações acerca do terreno. Contudo, o projeto inicial teve de ser alterado por duas vezes. “A primeira, por exigências do Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico. A segunda, já durante a execução da obra, por erros de topografia. As medidas que nos passaram estavam incorretas e tivemos que reduzir o projeto. Por isso, a Câmara perdeu um espaço bem considerável. Fizemos o melhor, dentro da área que tínhamos”, contou Aline Botelho.

Espaço
A vereadora Sílvia Fernanda de Almeida (PMDB) criticou o novo prédio, chamando-o, jocosamente de “bat-caverna”. “O prédio da nova Câmara, no meu entender, como contribuinte que paga seus impostos, é um desperdício de dinheiro. A Câmara Municipal é a casa do povo, mas o espaço para o plenário ficou completamente comprometido, porque se comprou uma área que já tem uma casa histórica e que não pode ser alterada. No terreno de trás, onde está sendo feita a obra, tem uma mina de água muito vigorosa e, no meio do espaço, foram construídos o fosso do elevador e a escadaria. Quer dizer, todo o espaço atrás da casa, que deveria ter sido aproveitado para se fazer um plenário decente, está desperdiçado”, criticou Sílvia Fernanda.
As arquitetas argumentaram que o projeto inicial tinha espaço suficiente para os 17 vereadores e um público de 250 pessoas. “Quando a construção começou, porém, nos chamaram às pressas porque os dados que nos passaram estavam errados. O terreno era menor e tinham achado muita água no terreno”, contou Aline Botelho. Elas afirmaram que, mesmo não sendo mais responsabilidade delas, alteraram a planta de acordo com as medidas reais. “Seguimos as informações que nos passaram”, disse Cinthia Botelho.
Com isso, a plenária teve de ser reduzida, passou de 250 para 100 assentos. “Já não era mais nossa responsabilidade, mas largamos nossos compromissos pessoais para fazer as alterações. Isso sem ganhar nada a mais e com a obra em andamento”, afirmou Aline Botelho.

“Bat-caverna”
O local da reunião é subterrâneo, sem janelas para ventilação e iluminação naturais. O plenário também está sobre uma mina de água. “Chamamos, de uma maneira jocosa, o plenário de ‘bat-caverna’. A ventilação e a iluminação têm que ser artificiais, o que aumenta o custo operacional da Câmara por causa da energia elétrica. Além disso, foi necessário construir uma parede de 20 centímetros, depois do muro de arrimo, por causa da umidade”, observou a vereadora.
Sua colega, Vera Lúcia Gomes de Almeida (PT), também reclamou das instalações da obra e da distância em relação ao Centro da cidade. “Particularmente, achei muito escuro, frio e úmido, cheio de infiltrações. O local é longe do Centro, tenho dúvidas se o povo vai se deslocar até lá para assistir às reuniões”, contestou Vera do Polivalente, que, também, foi processada, em dezembro de 2008, por fazer declarações públicas contra a obra numa emissora de rádio local.
Aline Botelho e Cinthia Lobão afirmaram que o terreno ser úmido não inviabiliza a construção. “O problema com a água não impede a execução. Teria que ser gasto mais dinheiro, mas dá pra fazer”, disse Aline. Além disso, a opção por uma plenária subterrânea foi tomada para preservar o edifício histórico que há na área. “Uma das tendências para fazer obras perto de residências antigas é fazer o uso do subsolo. O projeto foi elogiado por isso, não há problema algum”, comentou Cinthia.
Para elas, isso não torna o espaço úmido, escuro e frio. “Hoje, quantos cinemas são abertos? O ideal seriam iluminação e ventilação mecânica. Deixamos, também, aberturas no teto por economia de luz”, detalhou Aline.

O processo
As arquitetas lembraram que o prédio foi criticado publicamente pelas vereadoras, Vera Lúcia e Sílvia Fernanda, sem que as edis soubessem do processo de concurso e de elaboração da planta. “Ficamos chateadas, porque é um projeto bacana e de qualidade. Largamos nossos trabalhos durante meses para fazê-lo e nos sentimos lesadas ao ouvir certas coisas sendo ditas na radio”, disse Aline Botelho. Elas reforçaram que não acompanharam a obra, nem foram consultadas por nenhum vereador do atual mandato sobre sua execução. “Não nos perguntaram nada. Não é nossa responsabilidade se houver alterações”.
Vera Lúcia afirmou que, à época, deu uma entrevista falando que não gostou da obra. “Mas criticamos o edifício, não as arquitetas. Elas se sentiram prejudicadas e eu e a Sílvia tivemos que arcar com danos morais”, contou a vereadora.

"Matéria que, particularmente, achei bem difícil. Estava apurando algo que ja havia dado processo judicial por danos morais, então tive que ser bem cauteloso no trato com as fontes e com as versões. Tive a ideia de fazer intercalações no texto, de acordo com o tópico de cada fala. E demonstar logo no lead, as contradições e conflitos que o caso envolve. Se alguém está erradom creio que é a Câmara passada, que realizou um concurso com informações incorretas e ainda comprou um terreno que dizem ser superfaturado e sem espaço necessário para a obra."

Um comentário:

  1. Ê confusão, hein!
    Parabéns pela apuração, Marcelo.

    Caso enrolado...

    ResponderExcluir